de repente.... já nos 20?!

Janeiro 11 2012
 
Hoje recebi por mail umas fotografias minhas de há muitos, muitos anos atrás.. Emocionei-me! Eram fotos de um espetáculo de ballet que fiz,o primeiro espetaculo,tinha eu quatro, talvez cinco anos. Naquela altura o maior sonho era ser bailarina, aliás afirmava que era isso que seria quando fosse grande. Com o tempo e as coisas da vida esse sonho ficou de parte, ficou guradado num cantinho especial do meu coração.
Ao olhar para aquelas fotos ainda me lembro da roupa que tinha Da música que dancei. Da dorzinha de barriga que se apoderou do meu pequeno corpo e que desapareceu assim qie começei a dançar...
É como eu já disse tantas vezes, vai sempre existir uma bailarina dentro de mim...sempre!!

Março 04 2011

 

 

Ela sempre fora bela e a boa relação com o espelho sempre foi evidente. Dona de 1.70 de curvas, de umas pernas torneadas que pareciam chegar ao pescoço, de uns cabelos cacheados negros e olhos imensamente verde e transparentes, era realmente daquelas mulheres que fazia parar o trânsito.

Ela sabia disso. Usava o seu poder como bem lhe apetecia, à hora que queria, para conseguir o que desejava. Bastava-lhe estalar os dedos e era ver cair a seus pés tudo o que desejava.

O corpo escultural era a sua arma de trabalho… O palco parecia adorá-la, era a sua casa, a sua vida! A cada pirueta, a cada grand-pliê o sorriso rasgava-se mais um pouco e ela ganhava anos de vida…  A cada salto, a cada arasbeque ela voava…voava e parecia chegar mais perto do céu, mais perto do sítio onde as estrelas, como ela, pertencem…

Quando dançava iluminava-se  de tal forma  que ofuscava tudo o que se encontrava à sua volta. Em pouco tempo ascendeu a prima-bailarina numa importante companhia de bailado, e viu concretizado o seu sonho de menina. Em palco e fora dele tinha tudo aquilo com que sempre havia sonhado e era feliz!

Uma lágrima precipitou-se rosto abaixo enquanto contemplava a fotografia! Sim…ela sempre fora bela!

Fora… já não é mais! Perto dos quarenta viu o seu sonho cair por terra quando lhe apontaram o dedo e disseram que já tinha idade demais para ser bailarina, aliás chamaram-lhe velha… aos poucos viu-se ser ultrapassada por bailarinas mais jovens, mais bonitas, mais magras…. Foi tomada pelo medo de deixar de dançar e perdeu o gosto e alma com que o fazia…Deixou-se definhar e aos poucos foi enlouquecendo… perdeu a sua “casa”, perdeu o rumo!

Entrou em depressão profunda e acabou mesmo por ter que abandonar o palco e foi talvez aí, que verdadeiramente ela morreu!

Passaram meses, anos  em que pura e simplesmente se isolou do mundo! Não saía, não falava... não vivia! Para ela dançar era a sua vida…se não dançava mais então não fazia sentido continuar a viver…

Os anos foram-se sucedendo e sua depressão foi-se arrastando cada vez para um nível mais profundo e ao chegar aos sessenta a demência já não permitia que vivesse sozinha e foi atirada para um lar.

Sim ela sempre fora bela… hoje não passava de um amontoado de ossos e peles encarquilhadas.

                Outra lágrima escorregou … era dura a realidade, pelo menos nos escassos momentos em que realmente se apercebia dela, nos poucos momentos em que existia alguma lucidez na sua mente.

Um dia teve tudo, hoje apenas memórias, quando o seu cérebro lhe permite revive-las. Se um dia foi uma grande estrela hoje não passa da promessa daquilo que poderia ter ainda conseguido  alcançar. Hoje não passa de uma velha atirada a um lar, a quem o Alzheimer e as depressões sucessivas roubaram tudo, incluindo a identidade. Hoje não passa de um nome chamado uma ou outra vez quando a tentam trazer de volta a realidade


Abril 03 2010

 

 

 

 

 

 

Hoje foi dia de arrumações...

O meu quarto já estava a precisar..passei o dia a organizar as pilhas de dossiers dos 2 primeiros anos de faculdade, as sebentas e os livros e as toneladas de textos que nos são impingidos, textos esses que se olhamos uma vez que seja para eles já é muito, mas são SEMPRE, muito importantes para " o nosso desenvolvimento"...sim sim, nota-se!

Bem mas voltando às arrumações....depois da papelada organizada, atirei-me ao roupeiro para voltar a arrumar a minha roupinha como gosto (separada por cores e outras mariquices do género...), andava eu nestas andanças quando encontro uma caixa “escondida” no fundo do roupeiro…

Peguei na caixa pensando pensando ser daquelas que está cheia de recordações dos tempos de adolescência, jamais esperava o que iria encontrar. Dentro da caixa estavam as minhas antigas sapatilhas de ballet… a emoção atingiu-me o coração e as lágrimas precipitaram-se para os olhos….

Fiz dança clássica durante dez anos, o meu sonho era ser bailarina…sempre adorei dançar e estar em palco para mim era simplesmente mágico.                                          

Foram tempos muito felizes, infelizmente uma lesão deitou por terra o sonho de fazer da dança uma profissão.. já não pensava nessa época da minha vida há bastante tempo, contudo agora, com as sapatilhas diante mim, as memórias voltaram, as sensações, os sentimentos…

Comecei a dançar devia ter uns três anos e desde oo primeiro dia que me apaixonei completamente pela dança…ainda hoje adoro dançar e a verdade, é que sentido falta de me pôr por ai em pontas..

Tudo naquele mundo me fascinava….e fascina!

A elegância e a beleza, o flutuar delicado dos tecidos que se mexem a cada pirueta, a cada Gran pliê

Tudo é entrega é paixão..sim é preciso paixão e uma dedicação imensa para nos dedicarmos a esta arte..são muitas horas em frente a um espelho, com uma perna em cima na barra…horas a fio a treinar flexibilidade, a treinar o equilíbrio para que quando vamos para palco com os fatos de “princesa” e as sapatilhas de ponta pareça que andamos em cima das nuvens e que é tão natural andarmos assim como respirar!

De facto para mim dançar era tão essencial como respirar, por isso quando o ballet saiu da minha vida, tive que procurar outra paixão, não que substituísse a dança pois isso era de todo impossível, mas que me fizesse libertar e sentir viva da mesma forma que dançar fazia…

Não resisti e calcei as sapatilhas, apertei as fitas de cetim em volta das pernas..ainda me lembro como se faz, acho que deve ser como andar de bicicleta..não se esquece!

Ao calçar as sapatilhas voltei a sentir-me bailarina..voltei aos sonhos de menina, ao sonho inocente que desejava com todas as minhas forças poder tornar-se real…voltei a acreditar que seria possível…

Levantei-me….pus-me em pontas e…. PUF, a sensação ainda cá está, o sorriso rasgou-me o rosto, voltei de facto, embora por breves instantes, a ser bailarina!

Acho que no fundo, apesar de “ter arrumado as sapatilhas”, continuo a ser bailarina, a adorar palcos e a deslizar em pontas, mesmo que em sonhos….Passe o tempo que passar acredito que serei sempre uma bailarina…

 

 


desabafos, comentarios, disparos e caturreiras..enfim, pedaços de vida de uma miuda de 20 anos a quem nunca NADA, mas mesmo nada corre como o planeado...
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